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O OUTRO QUE É

Na poesia eu não sou, Eu é um outro

Month

January 2017

Eu sou cão e você

é a raposa

da estória fantástica

agora ficção realizada

 

o cão destinado

a todas as presas

capturar

a raposa destinada

a jamais ser

capturada

 

paradoxalmente petrificados

meus olhos líticos

condenados
à vê-la
à distância das estrelas

nossa proximidade

negada inexoravelmente

pela ordem celeste

e pelas diretrizes lógicas

que defloram

minha existência e a sua

em concreto

(2013)

Suburbia

O som de poucos carros

Rasgando o ar,

Embalado na melodia triste

De um aspirador de pó distante,

Rege a orquestra

De ganidos agudos

Dos cães que esperam

 

Já se vão as primeiras bicicletas

Carregadas de anseios

E receios

Quando não de água

Ou gás

 

Também já passam das seis

E todos são livres

Para buscar os pães

E perseguir a felicidade

Afogados na negação

E conforto do cárcere

 

O elevar de vozes

Dos mínimos seres condôminos

Abafa-se

Em meio à epifania de vida

Do Subúrbio

 

Prova inegável

De que existe vida submersa

 

(2012)

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