Rios turvos

Atenta contra o seu amarelo braço magro

Enchendo de lamúria e alívio o próprio canto

Ardente sangue rubro escorre dele enquanto

Decalca o seu impróprio e amorfo caráter egro

 

Contrária à carne viva e escura do homem negro

Atina a faca sua afoita ponta um tanto

Remédio e vício para assim findar o encanto

Quebranto que consome sua vida em logro

 

Usando a veste pobre, encobre seu ato escuso

Remorso torna intenso o peso do segredo

Ação funesta feita —afeita— prossegue obtuso

 

Forçando sua face, pávida e ímpia, em medo

Enxuga rios dele mesmo e padece iluso

Enquanto gotas fazem dessa dor enredo

 

(2014)

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