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O OUTRO QUE É

Na poesia eu não sou, Eu é um outro

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Eu

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Desconheço a vida

E busco certezas

Nas dimensões incertas

 

Minha voz é sempre

Vaga no silêncio

 

Eu sou deus de deus

Senhor do Vazio

 

Vossa Inexistência,

Que descalça contra o vento

Caminha sobre lixas

Fazendo do lamento

Cópia torta da

Cópia da cópia

 

Eu nego,

Tudo ou nada

É tudo e nada

Quem me busca

Se perde

E acha

 

Eu sou

 

(2013)

Nota histriônica

Eu sou o mocinho
De um filme particularmente longo.
Que em momentos aparenta ser uma fina tragédia,

Senão esfacela-se em uma comédia de gosto duvidoso.
Devo ser palhaço de cinema.
Procuro câmeras
E não as vejo.
Às vezes espero que surjam nas esquinas,
E definam a próxima cena,

A próxima piada.

Mas o empenho mediúnico
Em manter o sigilo das filmagens
Supera minhas capacidades de detetive hollywoodiano.
Sigo em minhas trabalhosas trapalhadas.
Chorando de rir,
Rindo de chorar,
Onde alegria e pranto se disfarçam,
Enquanto os créditos não sobem.

Aquilo que dizem dos palhaços:
Os mais engraçados, são também os mais tristes.

(2011)

 

Wer

Vejam que falo,
Ou divago
(vagando),
Geralmente sobre:
Amor;
Felicidade;
Existência;

E amor.

Pois sou poeta de ausências,
E reclamo o que me falta.

Vivo uma vida
De uísque
E marshmallows,
De inexistência
E incoerência,
Em que sempre restam
Menos de um dedo de um copo.

Quem me dera ser
Quem queria:

Macio,
Maduro,
Provado (e aprovado),
E premiado.

Como um uísque americano.

 (2012)

 

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