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O OUTRO QUE É

Na poesia eu não sou, Eu é um outro

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Política

Suburbia

O som de poucos carros

Rasgando o ar,

Embalado na melodia triste

De um aspirador de pó distante,

Rege a orquestra

De ganidos agudos

Dos cães que esperam

 

Já se vão as primeiras bicicletas

Carregadas de anseios

E receios

Quando não de água

Ou gás

 

Também já passam das seis

E todos são livres

Para buscar os pães

E perseguir a felicidade

Afogados na negação

E conforto do cárcere

 

O elevar de vozes

Dos mínimos seres condôminos

Abafa-se

Em meio à epifania de vida

Do Subúrbio

 

Prova inegável

De que existe vida submersa

 

(2012)

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À Ignácio de Loyola Brandão

Eis que a orelha

(de um certo renegado de mão furada)

Passou a crescer anomalamente.

 

Ao menos alimento,

(por um bom tempo)

Não faltou
àqueles debaixo da ponte.

À contragosto

 

Os cabelos encaracolados da almôndega

Empapados num molho de tomate fresco,

Os pedaços de carne

Moída

Espalhados ao longo do meio fio

 

Enquanto a macarronada esfria,

Outro prato

Anônimo

Fora servido aos olhos

Famintos

 

Quem tu viu?

Quem tv?

A desgraça

O pedido compulsório do menu

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